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Jejum

O Jejum

Jejum é um tema presente e recorrente na Bíblia desde as histórias do velho testamento até a vida e prática de Jesus e da igreja no novo testamento. Com muitas referências nas escrituras (pelo menos 40), revela-se como marcante no relacionamento com Deus.

Ora mencionado como uma prática coletiva, ora como individual. Seja por convocação para uma determinada causa (até mesmo propósitos errados, seja por uma iniciativa individual diante de Deus, o jejum é marcado por momentos de humilhação, contrição, clamor, intercessão, arrependimento, conversão, capacitação espiritual, adoração e, principalmente, uma expressão da vida e intimidade Deus, de dependência e necessidade da presença de Jesus!

 

O que é Jejum?

Jejuar é abster-se de satisfazer uma das necessidades mais básicas do homem que é alimentar-se. É deixar de ingerir alimentos total ou parcialmente com um objetivo espiritual. Pode-se dizer que é deixar o alimento carnal para buscar o espiritual.

Não é greve de fome, nem dieta, por mais que tenha seus benefícios físicos. Por ex. o Jejum total ou de determinados alimentos ajudam na desintoxicação do nosso organismo, mas não é essa a finalidade do Jejum na Bíblia, a finalidade é espiritual.

Richard Foster, no livro Celebração da Disciplina, relembra que muitas religiões também praticam jejum. É inegável a correlação sobrenatural com a prática do  Jejum. Ele destaca como o Jejum, nos dias modernos, tem sido restringido mais à ação exterior do que a interior da fé cristã, destituindo-se do seu poder espiritual.

“O que se passa espiritualmente é de muito maior consequência do que o que acontece no corpo.” Foster diz ainda que “o jejum pode trazer avanços no reino espiritual que jamais poderiam ter acontecido de outra maneira. É um recurso da graça e benção de Deus que não deve ser negligenciado por mais tempo”.

Somos acostumados desde pequenos a suprir essa nossa necessidade de nos alimentarmos fisicamente, três refeições por dia mais lanches etc. Uma das principais despesas hoje pra uma família é alimentação. Propagandas e variedades alimentar nos propõe o quanto devemos estar nos alimentando e provando diferentes alimentos. Hoje vai além de necessidade básica é, muitas vezes um deleite, muito saboroso e gostoso (Sl.63:5).

O que acontece quando jejuamos?

Quando jejuamos ficamos mais sensíveis espiritualmente e emocionalmente também. Alguns podem se deprimir, outros ficam mais nervosos, impacientes. O que de fato acontece é que ficamos mais expostos como somos, nossas fraquezas e tentações se evidenciam (conhecemos mais de nós mesmos). Para muitos, a primeira tentação vai ser exatamente a de comer antes do final do Jejum (a primeira coisa em que Jesus foi tentado, depois de passar  40 dias sem comer e ter fome, foi a de transformar a pedra em pão).

Jejuar também nos proporciona domínio próprio e capacitação espiritual, nos fortalece a vencer as tentações e também nos revela o quanto estabelecemos como indispensável aquilo que, de fato, podemos suportar como privação. Podemos ouvir melhor e mais ao que Deus está nos falando e podemos experimentar e viver determinadas coisas espirituais que talvez não aconteceriam sem jejum (conhecemos mais a Deus e da graça provedora Dele para nós).

Quais as diferenças entres jejuns?

Existem os Jejuns parciais, totais, absolutos e os sobrenaturais (se é que podemos classificar assim), mas vamos usar esses quatro tipos para referenciá-los melhor.

  • Jejum Parcial – é aquele em que abstêm de algum tipo ou variedade de alimento, como aconteceu com Daniel na Babilônia, onde durante 10 dias ele e seus amigos se alimentaram apenas de legumes e água.
  • Jejum Total – é aquele é que deixa de se alimentar, tanto de alimentos sólidos, quanto líquidos. Neste tipo de Jejum, bebe-se apenas água. É o tipo mais frequente identificado na Bíblia. ( Ex. o jejum de Jesus em Mt.4:2)
  • Jejum Absoluto – é aquele em que não come, nem bebe nada (nem água) por um determinado período, no máximo 03 dias, que seria o tempo limite para uma pessoa suportar sem água. (Ex. o Jejum convocado por Ester e também o de Paulo quando se converteu, jejuns durante apenas 03 dias).
  • Jejum Sobrenatural – 40 dias sem comida nem água – relatado na Bíblia apenas com referência a Moisés e a Elias (Dt. 9:9 e I Rs.19:8)

 

  • Individual ou Coletivo – Os jejuns podem ser tanto individuais, quanto coletivos. Os jejuns em grupo se revelam marcantes nos relatos bíblicos, porque, assim como a oração, o jejum em grupo une as pessoas num determinado propósito e busca a Deus, e da mesma forma o resultado é desfrutado por todos. Bom, então é desfrutarmos disso também nas famílias, os grupos caseiros, nos vínculos de companheirismo e de discipulado,   além de jejum com toda a congregação.
  • Voluntários ou por convocações – um recurso espiritual buscado por uma pessoa ou grupo voluntariamente, ou ainda por um chamado para que todos jejuem juntos  (Ex. a convocação de Ester)
  • A duração do Jejum também é variada. Há jejuns de 01 dia inteiro (o mais frequente na Bíblia), de 03 dias (Ester, Paulo e Jonas), e outros de até 40 dias. Até mesmo Jejuns sem um prazo certo, enquanto se ora e clama a Deus (ex. de Davi jejuou e orou por seu filho enfermo até que ele morreu).  
  • A frequência pode ser tanto esporádica, pela necessidade, quanto regular pela prática da disciplina. Com o passar do tempo, percebe-se nas escrituras que o jejum foi se tornando uma prática regular e às vezes memorial.
    • Ester 9:3 – memória do jejum de lamento (dia de purim)
    • Zacarias 8:19 – constante e regular (indica uma frequência mensal), e que os de determinados meses (4°, 5°,7° e 10°) fossem para regozijo
    • Jeremias 36:6 e Atos 27:9 – refere-se a um dia do jejum
    • Lucas 18:12 – Jejum do fariseu (2x semana)

Observação: Por certo, devemos ser fiéis diante de Deus com o que nos comprometemos (Ec. 5:5). Há o relato de um homem, em I Reis 13, a quem o Senhor ordenara que não comesse nem bebesse, inicialmente seguiu, mas depois desobedeceu e morreu. Porém, não há uma definição clara sobre interrupção de jejuns antes do prazo disposto voluntariamente. Não se trata de regra, mas de buscar o que agrada a Deus e ser fiel nisso, bem como há motivos (p. ex. de saúde) que pode levar a interromper um jejum.

 

Como devemos jejuar? (orientações práticas)

É importante observar que algumas pessoas podem ter alguma restrição e que não devem jejuar, a exemplo de remédios controlados, diabetes, ou mesmo mulheres grávidas. Se alguém tem impedimento para o Jejum Total, pode-se optar em fazer o Parcial, escolhendo, por exemplo, deixar de comer um determinado tipo de alimento que não lhe afete a saúde, com o cuidado de uma referência médica.

O livro do R. Foster, Celebração da Disciplina,  aborda  de modo específico orientações práticas e cuidados para quem quer jejuar. Vale a leitura e o compartilhamento. Vale, também, resumirmos algumas dessas orientações aqui:

  • Para quem não tem o hábito de jejuar ou nunca jejuou recomenda-se começar com um jejum parcial ou total curto (de alguns alimentos e/ou de determinadas refeições – ex. 24h bebendo apenas sucos de fruta e água, uma vez por semana e depois só com água – total).  Depois pode evoluir para 02 ou 03 dias. Sendo que as refeições antes do início e ao final do jejum devem ser leves e progressivas para preparar seu organismo.
  • Jejuns de 03 a 07 dias são de forte impacto em nossa vida, pois percebemos como o corpo se acostuma àquela situação e como vamos desfrutando ainda mais dessa disciplina espiritual. (sintomas como dor de cabeça, mau hálito, tontura, frio e dores de fome são comuns, descansar e fazer atividades mais suaves ajudam no bem estar e os sintomas vão diminuindo com o passar dos dias – perda de peso e diminuição do metabolismo)
  • Jejuns de 10, 20, 30 até 40 dias seguidos  são relatados com uma progressiva melhora e condição de suportar o jejum, mas que depois passam a voltar as dores de fome. A depender da pessoa o jejum precisa ser interrompido por conta das limitações físicas.

Obviamente, que o foco não deve ser o operacional em si mesmo, mas sim o sobrenatural, é trocar o suprimento que perece pelo que que não se perde, não é só deixar de comer, é fazer isso para orar e buscar a Deus, se não é passar fome.

Temos, também, as orientações práticas de Jesus aos discípulos:

“Quando vocês jejuarem, não façam uma cara triste como fazem os hipócritas, pois eles fazem isso para todos saberem que eles estão jejuando. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: eles já receberam a sua recompensa. Mas você, quando jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo 18para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o seu Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa.” Mt.6:16.

Jejuns no contexto da Bíblia

É muito comum, quando se pensa em alguma prática bíblica ou disciplina espiritual tentar identificar se trata-se de um mandamento, se é pecado ou não, o que se pode e o que não se pode fazer. Creio que o Jejum está situado entre aquelas práticas de não ser um mandamento, mas um deleite quando desfrutado para um nível mais profundo de intimidade com Deus.

Os motivos e práticas de jejum relatados na Bíblia são os mais variados, e lendo alguns desses textos podemos perceber algumas semelhanças e referências que podem nos ajudar na compreensão e prática.

  • Humilhação e Clamor/Intercessão – essa foi uma das expressões mais comuns de Jejum nos relatos bíblicos do velho testamento, quando individualmente ou coletivamente, muitos se humilharam e clamaram em jejuns por uma providência divina nas situações pelas quais passavam:
    • II Crônicas.20:3 – Josafá apregoou jejum por Judá contra os moabitas;
    • Esdras 8:21 – pedido para terem jornada feliz na volta pra Jerusalém
    • Esdras 10:6  – confissão pela transgressão do povo
    • Juizes 20:26 – Filhos de Israel para saber se lutariam contra os filhos de Benjamim
    • Ester 4:3 e 16 – Clamor por livramento e  Intercessão por Ester
    • II Samuel 12:16… – Davi intercede pelo filho (não obteve o que queria, mas foi marcado nessa experiência, que o levou a adorar a Deus)
    • Salmos 35:13 – afligia a alma com jejum, em favor dos inimigos
    • Salmos 69:10 e 109:24 – se humilhando diante de Deus
    • Daniel 6:9 e 9:3  – do rei por Daniel / e Daniel intercede  pelo povo
    • II Samuel 31:13 – Jejum por luto – 7 dias pela morte de Saul e Jônatas
  • Humilhação e Arrependimento/Conversão/Santificação
    • Neemias 9:1 – arrependimento dos filhos de israel
    • I Samuel 7:6 – arrependimento e confissão do povo quando chamados para serem confrontados
    • Joel 1:14 – preparação para o dia do Senhor
    • Joel 2:12-15 – arrependimento, conversão e santificação do povo
    • Jonas 3:5 – humilhação, arrependimento e conversão dos ninivitas
    • Atos 9:9 – conversão de Paulo
  • Capacitação Espiritual e Vida em Cristo
    • Daniel 1:12 – passando por prova
    • Mateus 4:2 – Jesus sendo tentado no Deserto
    • Mt.17:21 / Mc.9:29 – determinadas castas só saem com Jejum e oração
    • Atos 14:23 – dependência para eleição de presbíteros
    • 2 Co.6:4-10 e 11:27 – privação de alimentos / frequência / sofrimentos de Cristo (expressão da vida cristã em todos os seus aspectos).
  • Motivações Erradas
    • IReis 21:9ss – Jezabel convoca jejum para matar Nabote (no vs. 27 Acabe se arrepende e jejua se humilhando para mudar a sentença de Deus sobre ele naquele momento)
    • I Samuel 20:34  – Jônatas não comeu por raiva (fez greve de fome)
    • Lucas 18:12 – Jejum do fariseu (como a oração – de si para si)
    • Zacarias 7 – Diziam que jejuavam pra Deus, mas comiam para si mesmos. Deveriam na verdade buscar fazer tudo para o Senhor, buscar o que lhe agradava.
    • Isaías 58:

      “…Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao Senhor? Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda(…)”

  • Intimidade e Adoração
    • Êxodo 34:28/Dt.9:9) Essa é a primeira referência da prática de jejum nas escrituras que pudemos identificar. Talvez, não por acaso, tenha sido o jejum sobrenatural de Moisés, quando esteve na presença de Deus, durante 40 dias sem comer nem beber. Por certo, não necessitava de mais nada ali, bastava-lhe a presença de Deus.
    • Ester 9:3 – Memorial pelo que Deus fez
    • Lucas 2:37 – É a primeira referência de jejum registrada no Novo Testamento,  uma sincera Adoração em jejum e oração, noite e dia, por uma viúva de 84 anos que pôde carregar o Senhor nos braços e reconhecê-lo alí. (Por que será que foi “fácil” pra ela reconhecer alí, que aquele bebê era o Messias? Penso que intimidade com Deus!
    • Mt. 15:32 e Mc. 8:3 – a multidão jejuou enquanto o ouvia.

 

Porque devemos jejuar?

“Vieram, depois, os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos nós, e os fariseus [muitas vezes], e teus discípulos não jejuam?
Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar.
Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura.
Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam”. Mateus 9:14-17

Aqui talvez esteja a principal declaração sobre o jejum na Bíblia. Jejus respondendo a uma pergunta curiosa dos discípulos de João Batista revela que a necessidade e razão principal do jejum é Ele mesmo, a sua presença.

Precisamos estar com Ele, ouví-Lo e conhecê-Lo. Os discípulos que alí estavam não necessitavam jejuar porque o noivo estava com Eles. Mas viriam dias em que o noivo não estaria mais fisicamente com eles, e nesses dias deveriam jejuar.

Esses são os nossos dias, em que o noivo não está fisicamente conosco, portanto precisamos jejuar, pois precisamos Dele, somos necessitados dele, dependemos dele. E chegará o dia das bodas em que Ele voltará e não teremos mais necessidade de jejuar e provavelmente também não teremos mais fome pois estaremos em sua plena presença.

Seja por necessidades de clamor, conversão, intercessão, capacitação ou alegria, jejuemos porque somos necessitados Dele, precisamos da Sua presença!

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